quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Todo dia ele faz tudo sempre igual

Eu estou tendo aula com um professor muito bem esse semestre. Ele está dando aula de História do Brasil. Eu nunca pensei em me especializar no assunto, mas ele é o tipo de professor que faz você rever suas escolhas e pensamentos. Mas isso não interessa.
O que interessa é que na aula de ontem ele falou sobre a relação do povo brasileiro com política. De certa maneira, a população brasileira é mais inclinada a apoiar uma ditadura do que um regime parlamentarista. Quê? Como assim? Eu to brincando né? Não, não estou. Mas ditadura? É, é isso aí.
Segundo o meu querido mestre, os maiores ganhos sociais aqui no Brasil vieram em regimes autoritários. Não acredita? Então vamos pensar um pouquinho. Recordar é viver. Quem implantou os direitos trabalhistas no Brasil? Getúlio. Quem levou esses direitos para o campo? A ditadura militar. Quem foi o maior nome do populismo? Getúlio de novo. E ele não era um político de "pão e circo" como tanto falam que o nosso lulinha está sendo. Os ganhos para a sociedade foram relevantes. Voltando mais ainda no tempo. Alguém sabe quando que o "somos todos iguais perante a lei" entrou para a legislação brasileira? Com o nosso primeiro presidente da República. E como que a República foi declarada no nosso país? Com um golpe. Basta né?
Agora, porque a aversão ao parlamentarismo? Porque não confiamos no nosso congresso. E porque não confiamos? Porque enquanto os autoritários políticos desse nosso Brasil baronil trouxeram tantas melhorias, o nosso congresso pouquíssimas vezes fez o mesmo.
Eu não apóio uma ditadura, claro que não. Nada pode ser pensado unilateralmente, as ditaduras costumam trazer mais coisas ruins do que boas, mas a questão aqui é o congresso.

Pois qual não foi a minha surpresa quando eu saí da faculdade e ouvi: "O Renan foi absolvido". 40 votos pela permanência dele, 35 contra e 6 abstensões.
E o que foi aquela confusão com os deputados?
Como que a gente pode confiar nesse congresso?
Porque é isso mesmo, eles fizeram essa cagada e não foi surpresa. É sempre assim, é sempre igual.

Vendo o jornal, algum dos senadores ou dos relatores do processo, não me lembro, falou que esperava ver a repercussão desse fato nas urnas.
E é aí que vem a pior parte, na minha opinião. Nós vamos ver? Porque a julgar pelo que ocorreu nas últimas eleições, principalmente em SP, eu acho que não.

Então tudo que eu espero agora é que o povo brasileiro quebre a minha cara, me faça morder a língua, e faça diferente.

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